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Associação de Fuzileiros

 

Comunicado da Direcção

ASSOCIAÇÃO DE FUZILEIROS

 

Declarações do Lobo Antunes Rádio Renascença

Segundo o Presidente da Liga dos Combatentes

Gen. Chito Rodrigues

«Eu tinha talento para matar e para morrer. No meu batalhão éramos seiscentos militares e tivemos cento e cinquenta baixas. Era uma violência indescritível para meninos de vinte e um, vinte e dois ou vinte e três anos que matavam e depois choravam pela gente que morrera. Eu estava numa zona onde havia muitos combates e para poder mudar para uma região mais calma tinha de acumular pontos. Uma arma apreendida ao inimigo valia uns pontos, um prisioneiro ou um inimigo morto outros tantos pontos. E para podermos mudar, fazíamos de tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava, e como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros».

 

  A Associação de Fuzileiros de Portugal vem assistindo, com perplexidade, à polémica que o escritor António Lobo Antunes lançou no País acusando os combatentes da guerra colonial, nomeadamente, na frente de Angola (tendo tido o “privilégio” de se acusar a si próprio) – e pasme-se!! tendo participado na guerra na condição, essa sim, privilegiada de médico – de procedimentos e práticas que as Forças Armadas e os seus combatentes jamais tiveram e que, por maioria de razão, um Médico nunca deveria ter.

 Assim sendo, as afirmações que Lobo Antunes proferiu aos microfones da Rádio Renascença traduzem-se em puras inverdades do escritor, não se sabendo com que ínvias intenções, que ofenderam todos os combatentes, conscientes que estão de terem feito a guerra mais “ética” e menos desumanizada da história do século XX, ofensa que consideramos se estende a todos os portugueses, aos povos dos PALOPs que com estes também fizeram a guerra nas trincheiras do lado de lá e, também, do lado de cá e, por fim, a Portugal.

 Não constituindo a Associação de Fuzileiros instituição apenas de Combatentes é óbvio que esta força da Marinha de Guerra Portuguesa participou, com honra, na guerra do ex-ultramar e em situações particularmente difíceis como compete a uma Força Militar Especial.

 Não tendo nós legitimidade de nos arvorarmos em representantes de todos os Combatentes – estamos com todas as posições e reacções que as várias Associações de Combatentes e, designadamente, a respectiva Liga vêm assumindo – temo-la, certamente, para gritar a repulsa dos Fuzileiros Combatentes de Portugal pelo que foi dito por um escritor e por um médico – que terá feito, por certo, o juramento de Hipócrates – e que tendo subido alto no panorama literário português, ora sofreu um trambolhão maior do que a rampa que transpôs e que o haverá de marcar para a vida, porque – creia Sr. Dr. Lobo Antunes – os Combatentes não esquecerão.

O escritor, o médico e o militar que terá sido, só tem de pedir desculpa a Portugal.

Barreiro, 27/Agosto/2010                                                                        

“Fuzileiro uma vez fuzileiro para sempre”

A Direcção

 

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