
ASSOCIAÇÃO DE
FUZILEIROS
Falecimento do Antigo Presidente da Direcção Nacional da Associação de
Fuzileiros, Sócio N.º 155, Sr. Dr. Ilídio das Neves Luís
Logo após a Revolução dos Cravos (25 de Abril de 1974) alguns militares ou
assim feitos apareceram na Praça Pública a desempenar funções de
“comissários políticos”, perante a passividade das respectivas chefias.
No decurso de vários meses, até ao 25 de Novembro de 1975, encontravam-se
nas ruas indivíduos vestindo camuflados, cabelos compridos, boinas
militares postas às três pancadas, sem distintivos das armas e unidades,
substituídos estes por foices e martelos, ou por alegorias a Che Guevara e
Mao Tse Tung.
Foi neste contexto que - face ao descalabro revolucionário no âmbito da
indisciplina gerada nas instituições castrenses em geral e em algumas
unidades militares em particular, onde a “auto-gestão” era aceite como um
mal menor - alguns militares fuzileiros, no activo, na reserva e na reforma
decidiram criar a Associação de Fuzileiros.
Tratou-se de um movimento que emanou dos Homens que através dos anos
instruíram e prepararam os Fuzileiros para combaterem no Ultramar,
coadjuvados por muitos distintos e distinguidos Veteranos de Guerra.
À cabeça desta iniciativa esteve, entre outros, o Comandante Heitor dos
Santos Patrício que, além de mobilizar muita gente para a causa, conseguiu
uma dependência na Praça Pasteur em Lisboa, onde os promitentes futuros
associados se reuniam, semana a semana, na semi-clandestinamente, até à
celebração da escritura notarial, em Março de 1977.
Recordamos destacadamente o apoio do advogado Dr. Abel Augusto Lacerda
Botelho, sempre disponível para conduzir e orientar nas diligências
necessárias e conducentes à prossecução de tal desiderato.
Recordamos também, com o merecido destaque, a qualidade dos homens que
iniciaram a caminhada.
Quase todos tinham sido proclamados experientes combatentes. Homens de
carácter, manifestando, a cada passo, o mais sólido e arreigado amor à
Pátria. Para todos, o Trabalho, a Honra, a Honestidade, a Camaradagem, a
Solidariedade Humanista e os Valores Éticos não eram apenas palavras.
Galhardamente batiam-se por Princípios.
Após a celebração da escritura notarial, a Associação entrou em letargia.
As circunstâncias que obrigaram os Fuzileiros a associarem-se com o
objectivo de, se necessário, estarem unidos para fazerem frente a tomadas
de decisões que pudessem colocar em risco a soberania do País foram-se
desvanecendo, lentamente, a partir do “25 de Novembro” de 1975.
Convém, no entanto, que fique muito claro que a Associação de Fuzileiros
consente quaisquer vislumbres de conotações políticas ou ideológicas e,
muito menos, político-partidárias tendo, apenas, como objectivos os que se
encontram plasmados no Art.º 2.º do respectivo Estatuto e, nomeadamente,
«salvaguardar, conservar
e desenvolver os valores que sempre presidiram ao espírito de serviço, de
camaradagem, de lealdade, de coragem, de sacrifício e de solidariedade dos
Fuzileiros da Marinha de Guerra Portuguesa»
de tal forma que, o mesmo Estatuto impõe, nos termos de uma “restrição”
aos direitos dos associados, que
«é expressamente vedado aos sócios utilizar a Associação, directa ou
indirectamente, como veículo de discussões, intervenções ou interesses de
natureza religiosa, político-partidária,
de promoção pessoal ou
material».
Passados vinte e um anos, em Agosto de 1999, um grupo de fuzileiros
encabeçados pelo núcleo da “Escolamizade”, com
sede no Algarve decidiu activar a Associação.
Não porque a situação de ameaça à soberania de Portugal se tivesse
reacendido mas porque se sentiu haver questões que só aos Fuzileiros dizem
respeito e que teriam de ser por eles tratadas e conduzidas.
Hoje aqui chegámos e aqui estamos, com um estatuto civilista invejável e
com Estatuto associativo formalizado e legitimamente sufragado.
Para trás vão ficando anos e anos de árduo trabalho envolvendo dezenas e
dezenas de Homens que vêm dando o melhor de si próprios sem nada pedirem à
Associação que não seja o seu prestígio e a sua capacidade de solidariedade
e entreajuda.
Somos hoje um parceiro dialogante, apreciado e consultado por muitas
Instituições civis e militares.
Somos bem o espelho dos últimos versos do Hino da Associação de Fuzileiros:
“ Só tem Pátria quem sabe lutar”.
Aqui chegámos e aqui estamos, orgulhosos dos princípios e da mística dos
Fuzileiros porque,
«Fuzileiro uma vez fuzileiro para sempre».
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